Pra não dizer que não falo de mim

Deixem as capas para os heróis.
Deixem os discursos para os confiantes.
Eu não tenho com o que aparecer.
Nem preciso de uma estátua no meio de uma praça.
Sou a vida na sua simplicidade.
Não quero ser lembrada.
Ser pendurada na parede ou viver de boca em boca.
Quero mais é descanso...
Quero mais é viver e morrer.
Morrer apenas.

Companhia

Traz mais uma cadeira
Senta que o teto é firme
Nenhum dilúvio derruba a gente
Enquanto isso solta seu verbo
Fala da vida na gota de chuva
Que eu te conto um pouco do mundo
Um pouco do mundo
Um pouco de tudo

Rascunho

Naquele canto tem espaço sobrando.
Naquele sonho tem alguém faltando.
Sinto falta de alguma coisa.
Alguma coisa sem nome...
Alguma coisa que eu quero tanto...
Alguma coisa que um dia se chamará você.

Fim da chuva

Longe vai o som dos seus sapatos no asfalto molhado.
Sente a brisa que o tempo vem trazendo.
Não é boa hora para ir embora.
Volta com o sol.
Fica mais um pouco.
Que eu te faço um chá.
Te trago um calor inventado.
Num cobertor de amor.

Lugar nenhum

Sem querer acreditar... Acredito sem querer.
Deve ser o mal de quem não pensa o mal ou o bem de quem só pensa o bem?
Brincar de confusão é melhor que buscar explicação.
Na verdade...
não quero ligar pra nada disso não.

Retrato

O dia acordou rosado depois da noite que caiu.
Juntei as coisas e saí por aí.
Juntei os pedaços e me vi por aí.
Na bolsa levei você.
Na alma levei a gente.

Breve

Canto.
No canto.
De canto.
Sem canto
Canto.