Quando alguém fala por mim.


"L'être avant la lettre


la vie en close
c'est une autre chose

c'est lui
c'est moi
c'est ça

c'est la vie des choses
qui n'ont pas
un autre choix"

Paulo Leminski




Esse é O poema!

Sobre silêncio

"Há pessoas que têm alguma coisa a dizer, e há pessoas que têm de dizer alguma coisa."

Mais do que nunca tenho que mexer nas estruturas. Pode não ser fácil, mas não está perto de ser difícil também. Engraçado é ter alguma coisa a dizer e mesmo assim não dizer. Mais uma vez fora da regra e não sei nem mesmo quando isso começou. Ainda dizem que silêncio nunca é demais.

Viva Monteiro

Não acredito que precisei ficar cara a cara com Roberto Dualibi para conseguir incorporar perfeitamente o espírito literário da publicidade. Com certeza vou guardar comigo a receita infalível do mestre, mas como não me contento, vou acrescentar mais alguns ingredientes já que essa vida ta só começando. O que importa realmente foi a injeção de ânimo que ele me deu. Grande homem Dualibi profissionalmente, muito maior como ser humano. Engraçado foi descobrir sua afeição por Monteiro Lobato.

Monteiro Lobato, o homem que descobriu na falência um Brasil necessitado, um Brasil diferente do que ele vivia até então. A diferença foi que ele não ficou apenas olhando. Essa vitrine de doenças, miséria e ingorância não o deixou seguir a vida de antes. Ele então começou a questionar e encontrar caminhos. Em seus personagens ele depositava sua visão crítica. Personagens estes que dialogavam com as crianças, que interferiam nas bases da estrutura brasileira. Inteligência e criatividade, além de uma boa didática fazem de Lobato uma das minhas maiores inspirações. Educação, a porta para melhorias.

"O grande legado de Monteiro Lobato foi o de sua independência. Independência moral e independência intelectual. Era um homem livre, que queria todos os homens livres."
Roberto Dualibi

Sem meios, com fins.

Pedras, botões, balas.

Nada tem encaixe perfeito na minha vida.

Listras, pingos, suspiros.

Quem sabe eu não faça questão de me encaixar também.

Beijos, cores, agulhas.

Alguém faria questão de se encaixar a troco de nada?

Letras, caixas, morangos.

Certamente é de modo inocente (finja que acredita) que digo:

Não queira ser sigular, vivo de plural.

Faço coleções, mudo estações e crio confusões.

Ocasionalmente, orgulhe-se de ser um furo na minha roupa preferida.

É o modo mais certeiro de chamar atenção caso pretenda que eu me importe com alguma singularidade.

Palavras alheias...

Por que sempre é válido repassar algo que chamou a atenção por mais simples ou complexo que seja. E hoje vale se apossar de palavras alheias já que as minhas não estão afim de se encaixar.

"Um discurso, quando o desejo é calar

Somos criados para aplaudir a mais dramática das desgraças; estamos acostumados a rir do sofrimento e derreter de comiseração pelas misérias. Mas a reação que temos diante de uma alegria pacata, digamos, de atirar pedrinhas no lago, é bem diferente. Bocejamos, viramos a página, mudamos de canal. A bonomia é coisa muito fastidiosa, sobretudo a dos outros."

Diego Viana



Obs.: Vale lembrar que bonomia é bondade.
Talvez Yann Tiersen possa reorganizar toda essa bagunça que acabei de fazer.

O ser humano é tão vidro que me admira o fato de ainda vivermos nesse mundo. Sem palavras concretas para o dia de hoje. Nenhuma vai conseguir trazer satisfação ou condizer realmente com o que penso. Melhor me poupar. Melhor reviver o ontem. Não é o correto, mas é um conforto.

fênix desajeitada.

É chegada a hora em que paro e vejo que o gosto voltou, aquele sublime sabor que motiva, que antecede a ação. É... eu tinha enjoado de escrever tão fora das linhas aqui... Toda essa ausência de limitações e tantas possibilidades à la carte me encantaram num primeiro instante. Depois virou rotina, depois virou o caminho de todos os dias a um lugar comum. Como sempre, enjoei. Engraçado... Apesar de tudo ser engraçado segundo uma pessoa muito interessante. Não deixo de concordar. A verdade é que estou atrás de ocupação para os longos dias que seguirão. Dias em que me tiram toda e qualquer alegria. Aquele vazio. Sensação de impotência diante do passado tão recente e bom. Mas isso é conversa minha e não seria adequada agora. O que vale é o renascimento do falecido blog que mal teve seu início. Daí convém relacionar a situação um tanto quanto banal - diante de tantos acontecimentos mundiais - a algo que tem sua existência das cinzas. E vale relembrar ou talvez explicitar, para quem não me conhece, que não escrevo o que querem ler. Não estou aqui para divertir ou informar, apenas para exercer meu direito de me expressar.